quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Sem medo de mudar



À medida que vou vivendo e o tempo vai passando percebo o quanto o mundo vai mudando e a minha maneira de pensar e agir vão perdendo significado.
Em um mundo em constante transformação, de repente me dei por conta de que minhas ideias e concepções de vida e maneiras de interpretar os acontecimentos, na sua maioria, já não servem como balizadores para o mundo atual.
Convivendo e conversando com os jovens, e observando o que eles falam, escrevem, pensam e agem, percebo o quanto eles clamam por mudanças, mas também o quanto pensam diferente de mim.  
Seja na política, nos costumes, na religião, na educação, nos direitos humanos, nas relações sociais e familiares, na sua relação com a natureza e no trabalho.
Eu carrego uma quantidade de ideias e maneiras de pensar herdados de meus pais, bem como de experiências que experimentei e que balizaram as minha vida, forjaram a minha personalidade e o meu caráter. Também foram decisivas na construção da minha família, na formação dos filhos e, como uma gota no oceano, também de alguma forma contribuíram para um mundo melhor.
Estes valores, concepções e maneiras de pensar fizeram com que eu pudesse chegar onde estou.
Porém, observando o mundo ao meu redor, tenho consciência de que estes valores e maneiras de pensar já não têm para os jovens de hoje, o valor que tiveram outrora para mim.
O mundo mudou, as pessoas mudaram e buscam outras formas de viver e se relacionar.
Quando era jovem, assim como outros jovens da minha geração, também pensava diferente dos meus pais e sonhava com mudanças.
Os jovens do mundo inteiro sonhavam com mudanças e elas acabaram acontecendo. Claro que nem todas foram para melhor, mas tenho que reconhecer que mudaram o mundo o qual não é o mesmo de quando eu era jovem.  
Por isto penso que não devo resistir às novas ideias e as mudanças, pois elas são inevitáveis e, independentemente da minha aceitação e maneira de pensar, acabarão acontecendo.
Cada geração assume o comando do seu tempo sempre buscando um mundo melhor.
Por isto não tenho nenhum receio em aceita-las, pois penso que essas mudanças não sejam mais para a minha geração, que já completou o seu ciclo de formação, como também já deu a sua contribuição para que chegássemos aonde chegamos.
Considero natural que os jovens assumam o comando das mudanças buscando um mundo melhor do que o que a minha geração construiu. Um mundo com mais amor, solidariedade, compaixão e tolerância entre as pessoas, independente de raça, cor, sexo e gênero e que respeite e preserve a natureza e todos os seres vivos.
Tenho consciência de que se eu quiser continuar dando a minha colaboração para o aperfeiçoamento cada vez maior deste nosso tempo, tão ansiosamente buscado pelos jovens, devo aliar-me à luta pela transformação e acolher as mudanças que vierem a ocorrer, contribuindo, de braços abertos, sem rejeição ou preconceito, sem medo de um novo e melhor amanhã.
Como diz o poeta: “O passado é uma roupa que já não serve mais”.

Cândido Coutinho


sábado, 8 de outubro de 2016

O Rodopiar da Vida



“Rodopio, rodopio
E comigo giram silêncio e recordação
Rodopio, rodopio
E comigo girarão
A ponte, a praça, o recife
Poeira, vento e verão”
(Audálio Alves)

Uma reflexão sobre a passagem do tempo.





Uma reflexão sobre a passagem do tempo


O espanto de um personagem que vivia longe do lugar onde tinha nascido.
Um dia o personagem resolve reviver o cenário da infância e faz uma descoberta que pode parecer obvia, mas não é.
Os que saem de casa e um dia voltaram estarão sempre condenados em tomar um grande susto.
Descobrem que grandes mudanças acontecem e vão acontecer de qualquer maneira sem que eles precisem estar por perto.
Já  quem nunca saiu do lugar onde nasceu não nota a lenta devastação provocada pela passagem do tempo.
O certo é que o território da infância de cada um de nós um dia se transformará em algo remoto e distante que Gabriel Garcia Márquez chamou de “Paraiso terreno de desolação e nostalgia.”
O lugar onde o menino passou os seus primeiros seis anos da infância foi engolido pelas águas.
Não sobrou quase nada, só restou uma Igreja cercada de água por todos os lados.
Nunca a voracidade do tempo foi tão clara:
A água voraz
O sol voraz
A Saudade voraz
A história da paisagem que a água engoliu aconteceu com o menino.
Mas é a história de cada um e de todos nós, sem exceção, por que cada um de nós tem suas íntimas Catedrais que cedo ou tarde estarão sitiadas pelo tempo.

(Texto: Geneton Moraes Neto. Globonews Documentário “Boa Noite Solidão”.Exibido em 16.01.2016)