À medida que vou vivendo
e o tempo vai passando percebo o quanto o mundo vai mudando e a minha maneira
de pensar e agir vão perdendo significado.
Em um mundo em constante
transformação, de repente me dei por conta de que minhas ideias e concepções de
vida e maneiras de interpretar os acontecimentos, na sua maioria, já não servem
como balizadores para o mundo atual.
Convivendo e conversando
com os jovens, e observando o que eles falam, escrevem, pensam e agem, percebo
o quanto eles clamam por mudanças, mas também o quanto pensam diferente de mim.
Seja na política, nos
costumes, na religião, na educação, nos direitos humanos, nas relações sociais
e familiares, na sua relação com a natureza e no trabalho.
Eu carrego uma
quantidade de ideias e maneiras de pensar herdados de meus pais, bem como de
experiências que experimentei e que balizaram as minha vida, forjaram a minha
personalidade e o meu caráter.
Também foram decisivas na construção da minha família,
na formação dos filhos e, como uma gota no oceano, também de alguma forma contribuíram
para um mundo melhor.
Estes valores,
concepções e maneiras de pensar fizeram com que eu pudesse chegar onde estou.
Porém, observando o
mundo ao meu redor, tenho consciência de que estes valores e maneiras de pensar
já não têm para os jovens de hoje, o valor que tiveram outrora para mim.
O mundo mudou, as
pessoas mudaram e buscam outras formas de viver e se relacionar.
Quando era jovem, assim
como outros jovens da minha geração, também pensava diferente dos meus pais e
sonhava com mudanças.
Os jovens do mundo
inteiro sonhavam com mudanças e elas acabaram acontecendo.
Claro que nem todas
foram para melhor, mas tenho que reconhecer que mudaram o mundo o qual não é o
mesmo de quando eu era jovem.
Por isto penso que não
devo resistir às novas ideias e às mudanças, pois elas são inevitáveis e,
independentemente da minha aceitação e maneira de pensar, acabarão acontecendo.
Cada geração assume o
comando do seu tempo sempre buscando um mundo melhor e eu não tenho
nenhum receio em aceita-las, pois penso que essas mudanças não sejam mais para a
minha geração, que já completou o seu ciclo de formação, como também já deu a sua
contribuição para que chegássemos aonde chegamos.
Considero natural que os
jovens assumam o comando das mudanças buscando um mundo melhor do que o que a
minha geração construiu.
Um mundo com mais amor, solidariedade, compaixão e
tolerância entre as pessoas, independente de raça, cor, sexo e gênero e que
respeite e preserve a natureza e todos os seres vivos.
Tenho consciência de que
se eu quiser continuar dando a minha colaboração para o aperfeiçoamento cada
vez maior deste nosso tempo, tão ansiosamente buscado pelos jovens, devo aliar-me
à luta pela transformação e acolher as mudanças que vierem a ocorrer, contribuindo,
de braços abertos, sem rejeição ou preconceito, sem medo de um novo e melhor
amanhã.
Como diz o poeta: “O passado é uma roupa que já não serve mais”.
(CCoutinho)